24 de março de 2012

"Underworld Awakening" por Nuno Reis

Sou de um tempo em que um filme com vampiros ou lobisomens supostamente assustava. Subitamente, e sem que nada o fizesse prever, comecei a ter medo não do que via no filme, mas do filme em si. Talvez tenham sido “Dance of the Vampires”, “Frankenstein Junior” ou “Teen Wolf” que nos fizeram perder o respeito, mas no século XXI contam-se pelos dedos das mãos os filmes em que os “monstros” tentam assustar. Em “Blade” os vampiros podiam sair de dia sem morrer, mas continuavam a beber sangue e a matar com muita violência. Em “Underworld” o confronto entre as espécies atingiu um novo nível de violência (que foi posteriormente retocado com toques de comédia em “Van Helsing”) e, de repente, foi um total descalabro. Primeiro os lobisomens e os herdeiros de Drácula estavam a lutar pelo coração de uma humana - inimaginável! - depois estavam simplesmente a lutar para a fotografia em coreografias decepcionantes.
Se agora acusam levianamente a saga Twilight por reduzir o combate imortal entre as sugadores de sangue e os licantropos a um triângulo amoroso, tenham em mente que isso começou quase dez anos antes. Foi quando a vampira Selene se apaixonou por aquele que viria a ser um lobisomem que o mundo tenebroso dessas espécies ruiu.


É preciso recuar ao século V para ver as origens desta história. De acordo que o que foi dito no primeiro filme, tudo começou na Hungria com Alexander Corvinus. Uma doença dizimou-lhe a aldeia, mas Corvinus de alguma forma tornou-se imune e sobreviveu. Dos seus três filhos um foi mordido por um morcego e outro por um lobo tornando-se imortais. Os lobisomens começaram a controlar o seu poder e a transformarem-se mesmo sem luar, tornando-se nos escravos protectores dos vampiros que eram forçados a viver apenas na escuridão, mas revoltaram-se. Com o passar dos anos os clãs enfrentaram-se em inúmeras batalhas com vantagem para os vampiros. Na actualidade Selene é uma das Death Dealer, caçadores especializados em exterminar licantropos e em impedir os selvagens de revelar a existência das espécies. Quando descobre que os eternos rivais procuram o descendente do filho humano de Corvinus para criarem o ser mais poderoso e inverter a balança, Selene intervém, causando a transformação de Michael Corvin num híbrido apaixonado por ela.
Chegando a este filme ambas as espécies foram descobertas pela humanidade que se encarregou de as quase exterminar. A missão de Selena é descobrir o que lhe fizeram e onde está Michael. A única ajuda que tem é de uns (poucos) vampiros destreinados enquanto os lobisomens, por outro lado, estão maiores do que ela se lembrava. Para piorar, os humanos sabem usar raios ultravioleta e balas de prata. Selene é a única esperança dos vampiros, mas ela tem uma missão mais importante em mãos.

Já não há respeito por nenhum monstro. Esta história apenas tem as personagens inumanas porque já estavam criadas. Serem imortais em nada contribui para a narrativa neste jogo de intrigas com uma mensagem mais do que vista. Efeitos razoáveis era o mínimo que se pedia a esta produção que gritava 3D, mas nem a isso tivemos direito. Tem muita acção, sejam balas, lutas corpo-a-corpo, ou combates inglórios contra CGI acção não falta. O problema está numa realização mediocre, num argumento fraco, numa direcção de actores tão inexistente como o terror... Chegando ao fim simplesmente anunciam que a história precisa de mais um filme para acabar. Como se não o soubéssemos. Especialmente por ser 3D tem boas hipóteses na luta pelo título de maior desperdício de dinheiro do ano.

Underworld: AwakeningTítulo Original: "Underworld: Awakening" (EUA, 2012)
Realização: Måns Mårlind, Björn Stein
Argumento: Len Wiseman, John Hlavin, J. Michael Straczynski, Allison Burnett
Intérpretes: Kate Beckinsale, Stephen Rea, Michael Ealy, Theo James, India Eisley
Música: Paul Haslinger
Fotografia: Scott Kevan
Género: Acção, Fantástico, Horror
Duração: 88 min.
Sítio Oficial: http://entertheunderworld.com/

1 comentário:

Aníbal Santiago disse...

Um dos piores filmes que "tive a oportunidade" de ver este ano. O argumento é fraco e tem apenas como grande mérito fazer com que os anteriores filmes da saga não pareçam tão maus.

Cumprimentos,
Aníbal Santiago