25 de agosto de 2012

"Piranha 3DD" por Nuno Reis

Há uma linha muito ténue entre os filmes péssimos e os óptimos. "Piranha 3DD" arrisca-se nessa corda bamba entre o soft porn e a comédia de terror. O sexo é um elemento fulcral em metade dos clássicos do terror pelo que não deveria causar estranheza, mas a nudez aqui chega a um ponto que é muito raro ver-se no cinema mainstream, especialmente no americano.

Comecemos por analisar a escolha do casting. Para quem prefere morenas temos Danielle Panabaker. Já não é aquela menina dos filmes que a lançaram como “Sky High” e “Mr. Brooks”. Agora tem um pouco mais de carne e é uma protagonista que desejamos ver mais e melhor ao longo do filme. Só é pena que tenha o hábito de estar dentro de água que, como aprendemos no primeiro filme, não faz nada bem à saúde. Quem preferir louras tem Katrina Bowden (Cerie da série “30 Rock”) que a Esquire considerou a mulher mais sexy do mundo no ano passado. Está num registo diferente do habitual e algumas das frases com que nos presenteia são ainda melhores do que o corpo que exibe por pouco tempo.

Quem não for a este filme para ver actrizes sérias ficará satisfeito logo ao início com um desfile de mulheres despidas que se repete algumas vezes. Nesta sequela o centro das atenções é um parque aquático onde mulheres jeitosas não pagam para entrar e tem uma piscina para adultos onde não se usa roupa. Apesar de essa ideia-base ser simplesmente ordinária e degradante, o filme não se limita aos ambientes fechados e depois de fazer a provocação com nudez, parte para cenas de exteriores pouco brilhantes, mas que vão entretendo ao estilo de filmes série B. As piranhas raramente se aproximam de ser assustadoras, mas com a companhia certa (e aqui refiro-me a uma sala inteira e não à pessoa ao lado) pode ser muito divertido. As celebridades do passado a fazerem pouco de elas próprias (Christopher Lloyd continua a ser o cientista menos louco do que pensam, David Hasselhoff é simplesmente ele próprio) dão um toque vintage ao que à primeira vista era apenas mais um filme para adolescentes com as hormonas aos saltos que pensam gostar de terror. Fica o alerta: aqui não há terror e as piranhas são uma sombra do que vimos no filme anterior. Podem ser agarradas em pleno ar!

A geração que viveu os 80 e 90 vai poder recordar algumas das mais célebres cenas na água como “Nightmare on Elm Street” e “Shivers”, vai ouvir uma citação de “Jaws” e mesmo muito Baywatch”. Para os mais jovens tem um bocadinho de “Planet Terror”. Analisando a capacidade técnica e esses cuidados no argumento, conclui-se que não é um mau filme por incompetência. É propositadamente mau e é excelente a ir ao limite em temas polémicos. A última meia hora é um festim gore capaz de deixar a multidão aos urros de alegria por entre piadas de baixo nível, cabeças decepadas, mamas aos léu e muito, muito sangue. Dizer algo mais seria estragar a experiência única de ver este filme.

Foi uma aposta ganha do NIFFF para sessão da meia-noite. Não é terror do bom, não é para ganhar Oscares, mas quem o for ver por aquilo que “Piranha 3DD” promete - comédia adolescente com sangue e sexo - não sairá desiludido. Todavia deixo um alerta. Este é daqueles para ver em festival pois um requisito é estar rodeado por muita gente predisposta a rir. Se forem a uma sessão com 10 pessoas na sala e não se divertirem, acreditem que o problema não está no filme.

Artigo originalmente publicado na SciFiWorld.

Piranha 3DDTítulo Original: "Piranha 3DD" (EUA, 2012)
Realização: John Gulager
Argumento: Patrick Melton, Marcus Dunstan, Joel Soisson (personagnes criados por Petee Goldfinger e Josh Stolberg)
Intérpretes: Danielle Panabak, Matt Bush, Katrina Bowden, Jean-Luc Bilodeau, David Koechner, David Hasselhoff, Christopher Lloyd, Ving Rhames, Gary Busey
Música: Elia Cmiral
Fotografia: Alexandre Lehmann
Género: Comédia, Horror, Thriler
Duração: 83 min.
Sítio Oficial: http://piranha3ddmovie.com/

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