6 de abril de 2013

"G.I.Joe: Retaliation" por Nuno Reis

Nova ida ao cinema depois do interregno. Preparava-me para escolher o filme quando descobri que sofria de um grave caso de brucewillite. Porque de entre as duas dezenas de títulos disponíveis, estava indeciso entre "Die Hard 5" e "G.I.Joe Retaliation". A hora das sessões pode ter ajudado, mas em qualquer dos casos Bruce Willis é um boa guia para o regresso ao cinema de acção. Para a dose não ser muito forte (e também porque ia ficar chateado pelo micro-papel que deram à menina McClane) comecei pelos Joe. Haveria tempo para o outro e muitos mais filmes noutro dia.

Confesso que com o tempo melhorei a minha opinião em relação a G.I.Joe Rise of Cobra. Não é uma obra-prima, mas entretém, tem um elenco de qualidade, a história tem o nexo expectável e os efeitos especiais eram bons. Só aquela gralha no cartaz incomodava. Mas se na altura referi que o melhor do filme era o caminho aberto para a sequela, devido ao fracasso financeiro do primeiro capítulo eles optaram por poupar dinheiro e eliminar praticamente todos os actores que pudessem ser reaproveitados. Ou eram demasiado caros (nem por isso), ou tinham carreiras demasiado boas para voltarem a isto (metade deles não). Tendo de recriar os Joe, começaram com uma versão muito low cost onde apenas repetem quatro actores do primeiro filme (cinco se contarmos os três segundos de Vosloo). O corte com o passado foi radical, especialmente porque eliminaram de forma iremediável muitas personagens.
Nesta sequela aparecem heróis e vilões dos desenhos animados, dos comics e dos filmes “G.I.Joe” que eram populares nos anos 80 e 90. Já ninguém se lembra deles e esse detalhe pode ter sido desnecessário (ou mesmo falta de imaginação), mas é simpático para os fãs que não tomem demasiadas liberdades.

Para quem viu o trailer não há muito mais a dizer. Os Joe estão numa situação complicada e apenas um homem os pode ajudar. O mundo ainda não sabe, mas depende deles.
Desenrolam-se duas histórias em paralelo. Uma no mundo ocidental e médio oriente, com tecnologia de ponta e exércitos onde os Joe se movem com naturalidade. Roadblock, Lady Jaye e Flint enfrentam Zartan, Cobra Commander e Firefly. Outra no oriente secreto, onde os Arashikage mantêm as suas tradições e as artes marciais são a única forma de resolver conflitos. Aqui Snake Eyes e Jynx enfrentam Storm Shadow e muitos ninjas. Haverá talvez demasiados ninjas em G.I.Joe, resquícios dos anos 80 onde era fixe. Neste filme não se deixam perder tanto como seria de supor nessa distracção, apesar de se alongarem mais do que o necessário. E o que é certo é que respeita quase integralmente o legado dos comics.

Muitas acrobacias, mortes e acções heróicas depois, "Retaliation" deixa uma sensação de insatisfação. O primeiro era muito mais completo e mesmo divertido. Esta tenta ser sério e fiel às origens, mas nem entretém nem cativa novos públicos. Fica demasiado fechado no seu mundo de brincar. Se tinha intenção de ruptura com o anterior para dar novo rumo à saga, compreende-se, mas olhando para o filme isolado parece que lhe destruiram as bases.

FIca ainda uma nota para o abuso que tem sido divertirem-se à custa da Coreia do Norte em filmes recentes. Por incrível que pareça "The Dictator" até terá sido o mais respeitoso, comparando com o gozo que "Iron Sky", "Red Dawn" (onde também entra Adrianne Palicki) e agora "Retaliation" têm à custa deles. Estando uma guerra eminente, ainda se poderão arrepender de espalhar essa (falsa?) sensação de superioridade.

G.I.Joe: RetaliationTítulo Original: "G.I.Joe: Retaliation" (EUA, 2013)
Realização: Jon M. Chu
Argumento: Rhett Reese, Paul Wernick
Intérpretes: Dwayne Johnson, Adrianne Palicki, D.J. Cotrona, Jonathan Pryce, Byung-hun Lee, Ray Park, Elodie Yung, Ray Stevenson, Bruce Willis, Channing Tatum
Música: Henry Jackman
Fotografia: Stephen F. Windon
Género: Acção, Aventura, Ficção-Científica, Thriller
Duração: 110 min.
Sítio Oficial: http://www.gijoemovie.com/

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